Mulheres vítimas de violência em Santa Catarina passaram a contar com um novo canal de apoio. O Procon SC começou a receber denúncias de violência doméstica e patrimonial em todas as unidades do órgão, com encaminhamento seguro das informações à Polícia Civil.
A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (27) e foi implementada após a capacitação dos servidores para realizar um atendimento humanizado, acolhedor e com discrição.
A proposta é ampliar a rede de proteção às mulheres, oferecendo um acesso seguro para vítimas que podem ter dificuldades de procurar diretamente uma delegacia.
Segundo a delegada Michele Alves, diretora do Procon SC, muitas mulheres deixam de denunciarcasos de violência por medo de represálias dos agressores. “O Procon SC é um órgão voltado às relações de consumo e, justamente por ser um ambiente neutro, onde o atendimento é individualizado em cabines, muitas mulheres podem se sentir mais seguras para relatar a violência. Decidimos entrar nessa luta, que é de todos e é urgente”, afirmou.
Atendimento será feito de forma segura
Com a nova iniciativa, os servidores do Procon SC passam a atuar como uma porta de entrada para relatos de violência.
Após o acolhimento inicial, as informações serão encaminhadas à Polícia Civil para que sejam tomadas as medidas necessárias.
O objetivo é garantir que mulheres em situação de vulnerabilidade encontrem mais facilidade para buscar ajuda, principalmente em casos em que a denúncia direta ao agressor ou a ida a uma delegacia possam representar uma barreira.
Brasil registra recorde de feminicídios
A ampliação do atendimento ocorre em um cenário de aumento da violência contra mulheres no país. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime foi incluído na legislação, em 2015.
O levantamento indica uma alta de 4% em relação a 2024 e mostra que esse foi o quarto ano consecutivo de crescimento dos registros.
Além disso, foram contabilizadas 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, aumento de 5,9% na comparação com o ano anterior.
Perfil das vítimas e medidas protetivas
Segundo o anuário, 65% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras, e a maior incidência ocorreu entre mulheres de 25 a 29 anos.
Em quase 80% dos casos, os crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
O levantamento também mostra que cerca de 132 mil medidas protetivas de urgência foram concedidas em 2025, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.
Apesar disso, ao menos 70 mulheres assassinadas possuíam uma medida protetiva vigente.